Na ONU, Dilma alerta sobre crise e defende Estado palestino

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João Fellet

No primeiro discurso de uma mulher na abertura da Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff cobrou nesta quarta-feira união dos países no combate à crise econômica internacional e “lamentou” ainda não poder saudar a presença de um Estado palestino nas Nações Unidas.

A presidente brasileira declarou que o mundo vive um “momento delicado e uma oportunidade histórica”, que pode derivar em “graves rupturas políticas e sociais sem precedentes” por conta da crise econômica.

“Ou nos unimos (para combatê-la) ou sairemos todos derrotados. A crise é série demais para ser administrada por poucos”, disse Dilma, pedindo ajustes fiscais nas nações afetadas por crises da dívida, combate ao protecionismo, e, em aparente referência à China, estímulo aos mercados internos de países superavitários e fim da guerra cambial – ou seja, de reduções artificiais do câmbio para beneficiar exportações.

“A reforma das instituições financeiras multilaterais deve prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes”, prosseguiu a presidente, repetindo uma cobrança brasileira por mais voz ativa em órgãos como o FMI.

A presidente também pleiteou mudanças no Conselho de Segurança da ONU, do qual o Brasil historicamente aspira se tornar membro permanente, com direito a veto. Para a presidente, o CS na forma como está perde “legitimidade”.

Ao dar as boas-vindas na ONU ao Sudão do Sul, nação oficialmente criada neste ano, Dilma disse que lamentava “ainda não poder saudar o ingresso da Palestina” no organismo multilateral.

“Acreditamos que chegou o momento de ter a Palestina (como Estado independente) e reconhecer seu direito legítimo à soberania”, declarou. “Só a Palestina livre poderá atender aos anseios de Israel por segurança.”

As declarações de Dilma ocorrem às vésperas da possível formalização do pedido da Autoridade Palestina pelo reconhecimento da ONU ao Estado palestino.

O pedido, a ser feito pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, durante a Assembleia Geral, enfrenta forte resistência de Israel e dos Estados Unidos, que prometem vetá-lo no Conselho de Segurança, alegando que a independência só pode vir com negociações com os israelenses.

Primavera Árabe

Dilma também saudou em seu discurso os protestos da Primavera Árabe, dizendo que o Brasil “se solidariza com a busca pela liberdade”.

Mas a presidente criticou interferências “com o uso da força” em países atravessando revoltas populares e repressão governamental – em nova mostra da oposição do governo brasileiro à ação militar da Otan (aliança militar ocidental) na Líbia, feita com base em uma resolução aprovada na ONU.

Na opinião de Dilma, “é preciso que as nações encontrem uma forma legítima de ajudar (os países em convulsão)”.

“Estamos convencidos de que o uso da força é a última alternativa. A busca pela paz não pode se limitar a intervenções em situações extremas”.

Por fim, Dilma também disse que tem “orgulho de viver um momento histórico” de ser a primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU – pronunciamento este que desde 1947 fica a cargo do presidente brasileiro.

“Sinto-me representando todas as mulheres”, declarou a presidente, dizendo que a voz feminina é “a voz da democracia e da igualdade”.

Fonte: BBC Brasil

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