Pedido de reconhecimento na ONU divide palestinos

 

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Guila Flint

A decisão do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de pedir, na semana que vem, o reconhecimento da ONU ao Estado Palestino no território definido pelas fronteiras anteriores à guerra de 1967, é criticada por setores importantes da sociedade palestina, tanto nos territórios ocupados como na diáspora.

Entre os oponentes principais ao plano de Abbas se encontram as correntes políticas religiosas, especialmente o Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, e também correntes políticas seculares nacionalistas.

O Hamas, que assinou há 5 meses um acordo de reconciliação com o Fatah, grupo liderado por Abbas, critica a decisão do presidente palestino, mas, pelo menos em pronunciamentos públicos, evita atacar frontalmente o partido governista.

Ismail Raduan, um dos lideres do Hamas, afirmou que “o mais importante é defender a união nacional” mas destacou que o Fatah e o Hamas discordam sobre a estratégia que o povo palestino deve adotar.

O porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Sami Abu Zuhri, declarou que o pedido de reconhecimento é uma medida “exclusivamente simbólica, da qual o povo palestino não obterá resultado algum, exceto uma bandeira hasteada no prédio da ONU”.

De acordo com o porta-voz, o reconhecimento da ONU “não obrigará Israel a se retirar de um centímetro sequer da terra da Palestina”.

Abu Zuhri também afirmou que, ao tomar essa decisão, o Fatah “não levou em consideração a posição do Hamas”.

De acordo com a carta de princípios do Hamas, todo o território da Palestina histórica, do mar Mediterrâneo até o rio Jordão, incluindo o território israelense anterior à guerra de 1967, é “terra islâmica”.

Movido por uma ideologia religiosa o Hamas não reconhece a existência de Israel em qualquer parte do território.

Há outros grupos religiosos, menores que o Hamas, e que atuam nos territórios palestinos, como o Jihad Islâmico e grupos salafistas identificados com a Al-Qaeda, que também negam a existência de Israel e se opõem ao plano de dois Estados defendido pelo Fatah e pela Organização de Libertação da Palestina.

Esquerda

Já para grupos seculares palestinos, mais associados com o lado esquerdo do mapa político, o pedido que Abbas irá dirigir à ONU significa o “abandono” dos palestinos que moram em campos de refugiados nos países árabes e daqueles que são cidadãos israelenses, “conferindo legitimidade à ocupação da Palestina até 1967”.

Tanto os oponentes seculares como os religiosos foram contra os acordos de Oslo, assinados em 1993 pelo líder palestino Yasser Arafat e pelo primeiro-ministro de Israel Itzhak Rabin, argumentando que Arafat estaria fazendo concessões altas demais para Israel e “se contentando” com apenas 22% da área da Palestina histórica, ou seja – a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.

Entre os oponentes seculares de Abbas estão a Frente Popular de Libertação da Palestina e a Frente Democrática, além de diversas organizações baseadas tanto nos territórios palestinos como no exterior.

Uma dessas organizações é o Movimento Jovem Palestino (PYM, na sigla em inglês), que integra jovens palestinos locais e das diversas diásporas.

Em um comunicado criticando a decisão de pedir o reconhecimento da ONU, o PYM acusa o presidente Abbas de “despolitizar a luta pela Palestina, separando-a de seu contexto histórico colonial”.

Para os membros do PYM, Abbas está tentando “impor uma paz falsa e normalizar as relações com o regime colonial”.

Segundo o PYM, essa tentativa de “normalização” por parte da liderança do Fatah, levou os palestinos “a abrir mão de partes crescentes de nossa terra e dos direitos e aspirações de nosso povo”.

Líderes do Fatah defendem a decisão de pedir o reconhecimento da ONU argumentando que a medida é necessária devido à “teimosia” de Israel.

“Israel não quer paz ou qualquer tipo de negociação séria e eficaz”, afirmou Zakaria El Ara, membro do comitê central do Fatah.

O presidente Abbas e a liderança do Fatah e da OLP defendem uma posição considerada de realpolitik.

“Estamos indo para as Nações Unidas. A OLP decidiu se dirigir à comunidade internacional para promover os objetivos nacionais de nosso povo e proteger a perspectiva de paz frente à agressão de Israel”, afirmou o principal negociador palestino, Saeb Erekat.

Fonte: BBC Brasil

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