Dez anos depois do 11/9, Al Qaeda é uma sombra do que já foi

MARK HOSENBALL

Dez anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a rede Al Qaeda está desfalcada das suas principais lideranças e quase certamente seria incapaz de realizar outro ataque semelhante, segundo especialistas dos EUA e Europa.

No entanto, a ameaça de atentados espetaculares, simultâneos e com muitas vítimas agora foi substituída por novas preocupações –as violentas “filiais” do grupo e os “lobos solitários” radicais, por exemplo.

Um exemplo dessas preocupações surgiu na quinta-feira, quando autoridades dos EUA disseram haver uma ameaça crível, mas não confirmada, envolvendo Washington e Nova York –os dois alvos dos ataques do 11 de Setembro, que completam dez anos no domingo.

Autoridades dizem também que informações colhidas na ação militar que matou Osama bin Laden em maio no Paquistão mostram que a Al Qaeda pretendia realizar um novo ataque nos EUA na época do décimo aniversário, mas não se sabe se isso chegou a ser efetivamente planejado.

“A Al Qaeda central nunca esteve tão fraca, ela foi surrada até a submissão”, disse Roger Cressey, ex-funcionário de contraterrorismo da Casa Branca, referindo-se aos bombardeios teleguiados da CIA no Afeganistão e Paquistão.

Segundo ele, logo depois do 11 de Setembro as principais ameaças eram, pela ordem, a Al Qaeda central, suas afiliadas e indivíduos radicais autônomos. “Hoje a ordem contrária é verdadeira”, acrescentou.

A decadência da Al Qaeda, rede islâmica surgida na luta de militantes árabes contra os soviéticos na década de 1980 no Afeganistão, vai além da morte de seu criador pelos EUA.

O marco mais recente disso foi o bombardeio do mês passado, no Paquistão, que matou o líbio Atiyah abd al Rahman, apontado como novo número 2 da Al Qaeda depois da ascensão de Ayman al Zawahri à liderança máxima, no lugar de Bin Laden.

Uma importante fonte oficial dos EUA disse, sob anonimato, que a morte de Rahman foi importante porque, diferentemente de Bin Laden, ele tentava operar fora do radar das agências ocidentais de espionagem. Mesmo assim, foi identificado, localizado e morto.

Mas o vácuo criado pela desintegração do comando central da Al Qaeda está sendo preenchido por “franquias” da rede, segundo autoridades de contraterrorismo.

“O movimento alimentado por uma ideologia comum se transformou mais em uma hidra da Al Qaeda, com o velho núcleo enfraquecido, mas novas franquias e indivíduos inspirados (por essa ideologia) assumindo o manto da jihad mundial”, disse Juan Zarate, que foi assessor de contraterrorismo no governo de George W. Bush, referindo-se à serpente de várias cabeças da mitologia grega.

Propagandistas e apologistas da Al Qaeda também estabeleceram nos últimos anos uma formidável presença na internet para promover a ideologia do grupo e doutrinar novos militantes.

Fonte: Reuters via Folha São Paulo

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