Defesa – Desinteresse, desinformação ou assunto da Caserna?

Por Sagran Carvalho.

Amigos,

Discorrer sobre um tema que tão pouco interesse desperta na sociedade civil é uma tarefa complicada. Tentar divulgar e despertar o interesse do leitor para este assunto é um desafio que espero consiga superar.

Neste artigo não me posicionarei sobre qual é o melhor caça para a FAB, não entrarei no mérito da viabilidade ou não do Programa Nuclear da Marinha e seu submarino, e muito menos falarei sobre a nova família de blindados do Exército desenvolvida conjuntamente com a Iveco. São assuntos para outros artigos.

Hoje o assunto é a falta de perspectivas que o assunto desperta. Os brasileiros não se preocupam e nem se interessam, e a classe política reflete este desinteresse. No Congresso Nacional os debates em torno deste assunto tão importante aos interesses nacionais despertam pouco interesse de congressistas, imprensa e opinião pública.

Mas porque é assim? Qual o motivo de tanto descaso?

Alguns falarão que não temos inimigos, outros acharão que é desperdício de tempo e dinheiro, a maioria dirá que é coisa de milico e ainda tem uma minoria que acredita que os militares não são confiáveis, vivendo em eterna conspiração para um novo golpe. Como podem ver, tem crença para todos os gostos.

Rebater estes argumentos pura e simplesmente também não mudará a situação. Muitos, bem intencionados e abnegados, diga-se de passagem, já vem fazendo isto a bastante tempo sem maiores resultados. Temos que mudar a estratégia e mostrar à população que quem não tem capacidade de se defender, em algum momento terá que se submeter, e historicamente a realidade tem nos mostrado isto!

Nos últimos anos o Itamarati tem pautado nossa política externa no sentido de conseguirmos um assento permanente no Conselho de Segurança numa eventual reforma da ONU,  utilizando uma estratégia equivocada e ideológica que só dificulta a nossa aspiração.

Mas, mesmo que os rumos da política externa fossem outros, não conseguiríamos hoje o assento, pois se notarmos hoje entre os membros permanentes, todos eles tem em maior ou menor nível uma capacidade de projeção militar que está muito acima do que possuímos hoje. Não acreditem nas histórias que tentam nos vender de que conseguiremos um assento baseados apenas na nossa boa vontade para com os menos favorecidos e na posição “independente” de nossa diplomacia. A realidade é mais mundana!

Reclamam da porosidade de nossas fronteiras terrestres e marítimas, onde o banditismo, o tráfico de drogas e armas grassa livremente. Mas não são tão incisivos na reclamação quando o Governo realiza cortes nos orçamentos do Ministério da Defesa e por conseguinte das três Armas que trabalham arduamente para manter a presença do Estado nestes rincões.

Aceitam passivamente que uma concorrência para compra de caças se arraste por três governos sem que uma decisão seja tomada. Não se importam que o navio mais novo de nossa Marinha tenha demorado quatorze anos para ser finalizado por falta de verbas contínuas, e que nossa defesa anti-aérea hoje é inexistente.

Mas baterão na tecla…não temos inimigos!

E hoje aparentemente não temos mesmo, mas as coisas podem mudar rapidamente. Lembrem-se que há pouco mais de dois meses a Líbia  ainda era um cliente e aliado francês. Hoje é bombardeada pelo Armeé de l’air. Não estou aqui defendendo o ditador líbio, apenas mostrando que as coisas podem mudar numa velocidade que não esperamos.

Defesa não é assunto exclusivo da Caserna, e  não podemos nos dar ao luxo de manter o desinteresse, sobre pena de talvez amanhã chorarmos pelos nossos. Desinformação só aumenta a probabilidade de tudo permanecer como está!

Dissuasão não é ser mais forte que qualquer provável inimigo. É mostrar e ele que o custo a ser pago para atingir seus objetivos não será suportado por sua sociedade e economia.

Poder dissuasório não se constrói em uma semana e com verbas emergenciais…

Não podemos continuar dormindo em berço esplendido e nem continuar acreditando que não necessitamos de investimentos nas Forças Armadas.  Tenham certeza de que as verbas existem, o que falta é interesse da sociedade e vontade política, e isto só será alterado se a opinião pública realmente mudar sua atitude!

Chega de revanchismos ideológicos e defendam o interesse nacional!

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